Aprender a Conviver
Sereno, ele ouvia
conselhos ao meditar
e humilde agradecia
ao silêncio que lhe vinha ensinar.
Pensou em começar
a coisas novas olhar
e em novos horizontes reparar.
Então, veio o silêncio lhe alertar:
Ao invés de novas paisagens
querer avistar
é melhor tudo reexaminar
com um novo olhar.
É assim que se deve caminhar,
aprimorando o modo de enxergar.
Pensou em com os felizes estar.
Soprou o vento a lhe ensinar:
Vá ter com os infelizes,
os ladrões e as meretrizes.
Conviver é mais que estar,
é viver e se doar.
Quer aprender a conviver?
Perguntou-lhe o silêncio.
Conviver é aprender.
É como você sabe responder
quando lhe vêm perguntar.
É um eterno examinar.
É não proibir, é ensinar.
É com exemplos, falar.
É procurar melhorar o olhar.
É saber ouvir mais do que escutar.
É saber quando a boca fechar.
É descobrir a hora certa de falar.
Aprender a conviver, é procurar
sempre respeitar.
É para a frente olhar,
para os lados observar
e, ao olhar para trás, se cuidar.
É do lado certo procurar ficar.
É aprender que o perder
sempre vem pra ensinar.
É não se orgulhar ao vencer,
pois o orgulho está sujeito a te derrotar.
É descobrir que é para aprender a conviver
que estamos no chão a respirar.
É do passado só se lembrar,
para o presente melhorar.
É ter alguém com quem caminhar.
Cada qual tem o seu par.
É, enquanto caminhar,
dos preconceitos se livrar.
Isso é o mesmo que não pré-julgar.
Aprender a conviver, é perceber o oceano
em uma gota do mar.
É um filho adotar
sem escolher nem julgar.
É o coração limpar.
É ser amigo para dar
seu ombro ao inimigo, para chorar.
É uma amizade valorizar
e por um amigo até brigar.
É ao sedento, água levar,
sem esperar por seu clamar.
É descobrir a diferença
entre o Ser e o Estar.
É ver lágrimas e enxugar.
É tudo suportar,
e não se apressar,
em para o outro lado depressa voltar.
(quer dizer: se matar.)
É sempre em seu Deus encontrar
motivos pra continuar.
Aprender a conviver,
é a mão da criança levemente tocar,
mas, se precisar, firmemente segurar.
É, quando abraçar,
no abraço demorar
e nessa hora em nada pensar:
simplesmente sorrir ou até chorar.
É transmitir carinho no olhar,
no falar e até quando calar.
É do pouco que tiver, tirar,
e ao próximo ofertar,
é repartir sem que ele precise te mendigar.
É bons exemplos dar.
É sempre encontrar tempo,
para com alguém estar.
E, quando estar,
realmente saber ficar.
É se apresentar para sorrir
e se afastar para chorar.
Quando ferido, não precisar perdoar.
É dar tempo ao ofensor, de pensar,
refletir e o seu ato reparar,
sem julgar.
É dar a ele, todo o tempo que precisar.
Conviver é o exercício de repensar.
É se lembrar que o perdão vem prá educar.
É aprender que só convivendo
é que se aprende e começa a amar.
E amar é tão sublime que só existe,
quando se há, no mínimo, um par.
A solidão afasta o amar.
Isso é bom lembrar.
Pra finalizar:
Conviver é do simples gostar.
É o complicado respeitar.
É parar para ouvir
a quem precisa falar.
E, ao ouvir,
do aprender a conviver se lembrar...
(do livro Alguns Versos, Talvez Poesias... - Devany A. Silva)

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