segunda-feira, 12 de março de 2012

DAR NÃO É FAZER AMOR




DAR NÃO É FAZER AMOR 

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
“Que que cê acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.


Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 8 de março de 2012


"CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO,
O CAMINHO É FEITO AO ANDAR.
AO ANDAR SE FAZ O CAMINHO
E AO OLHAR PARA TRÁS,
SE VÊ A SENDA QUE NUNCA
SE VAI VOLTAR A TRILHAR.
CAMINHANTE NÃO HÁ CAMINHO,
SOMENTE RASTROS NO MAR"
Antonio Machado

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CULPA




Meus passeios
poluem o mundo.

Para ler,
gasto a luz de cidades inundadas.

A geladeira
esburaca a camada de ozônio.

Banhos longos
desertificam o planeta.

Para comer, beber, viver
gasto dinheiro (que nem ganhei).

Meus poemas
derrubam árvores.
Fabio Rocha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pretitude!



Pretitude, a essência de ser



Minha pretitude embala meu ser.
É orgulho que me motiva prá vencer.
Como a sombra que refresca o existir.
Minha pretitude é tudo prá mim.

Sol é apenas um ativador.
Dessa cor que representa o amor.
Acolorando as relações.
Pretitude motiva os corações.


(THEMBI SEKOU OKWUI)

sexta-feira, 10 de junho de 2011




Quando O Sono Não Chegar

                                               

Neste quarto de fogo solitário 
No telhado um letreiro esfumaçado
Candeeiro no peito iluminado
O cigarro no dedo incendiário
O cinzeiro esperando o comentário
Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
Ela é maltratadeira
Além de ser matadeira
ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia
(Lirinha E Leat Lial)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Aprendi... e continuo aprendendo!



Aprendi...
“ Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e Ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi...Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi... Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.
Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”

terça-feira, 17 de maio de 2011

Leia com atenção e de preferência mais que uma vez.




Aprender a Conviver

Sereno, ele ouvia
conselhos ao meditar
e humilde agradecia
ao silêncio que lhe vinha ensinar.

Pensou em começar
a coisas novas olhar
e em novos horizontes reparar.
Então, veio o silêncio lhe alertar:

Ao invés de novas paisagens
querer avistar
é melhor tudo reexaminar
com um novo olhar.
É assim que se deve caminhar,
aprimorando o modo de enxergar.

Pensou em com os felizes estar.
Soprou o vento a lhe ensinar:

Vá ter com os infelizes,
os ladrões e as meretrizes.
Conviver é mais que estar,
é viver e se doar.

Quer aprender a conviver?
Perguntou-lhe o silêncio.
Conviver é aprender.

É como você sabe responder
quando lhe vêm perguntar.

É um eterno examinar.

É não proibir, é ensinar.
É com exemplos, falar.
É procurar melhorar o olhar.

É saber ouvir mais do que escutar.
É saber quando a boca fechar.
É descobrir a hora certa de falar.

Aprender a conviver, é procurar
sempre respeitar.

É para a frente olhar,
para os lados observar
e, ao olhar para trás, se cuidar.

É do lado certo procurar ficar.

É aprender que o perder
sempre vem pra ensinar.
É não se orgulhar ao vencer,
pois o orgulho está sujeito a te derrotar.

É descobrir que é para aprender a conviver
que estamos no chão a respirar.

É do passado só se lembrar,
para o presente melhorar.

É ter alguém com quem caminhar.
Cada qual tem o seu par.

É, enquanto caminhar,
dos preconceitos se livrar.
Isso é o mesmo que não pré-julgar.

Aprender a conviver, é perceber o oceano
em uma gota do mar.

É um filho adotar
sem escolher nem julgar.

É o coração limpar.

É ser amigo para dar
seu ombro ao inimigo, para chorar.

É uma amizade valorizar
e por um amigo até brigar.

É ao sedento, água levar,
sem esperar por seu clamar.

É descobrir a diferença
entre o Ser e o Estar.

É ver lágrimas e enxugar.
É tudo suportar,
e não se apressar,
em para o outro lado depressa voltar.
(quer dizer: se matar.)

É sempre em seu Deus encontrar
motivos pra continuar.

Aprender a conviver,
é a mão da criança levemente tocar,
mas, se precisar, firmemente segurar.

É, quando abraçar,
no abraço demorar
e nessa hora em nada pensar:
simplesmente sorrir ou até chorar.

É transmitir carinho no olhar,
no falar e até quando calar.

É do pouco que tiver, tirar,
e ao próximo ofertar,
é repartir sem que ele precise te mendigar.

É bons exemplos dar.

É sempre encontrar tempo,
para com alguém estar.
E, quando estar,
realmente saber ficar.

É se apresentar para sorrir
e se afastar para chorar.

Quando ferido, não precisar perdoar.
É dar tempo ao ofensor, de pensar,
refletir e o seu ato reparar,
sem julgar.
É dar a ele, todo o tempo que precisar.
Conviver é o exercício de repensar.
É se lembrar que o perdão vem prá educar.

É aprender que só convivendo
é que se aprende e começa a amar.
E amar é tão sublime que só existe,
quando se há, no mínimo, um par.
A solidão afasta o amar.
Isso é bom lembrar.

Pra finalizar:

Conviver é do simples gostar.
É o complicado respeitar.
É parar para ouvir
a quem precisa falar.

E, ao ouvir,
do aprender a conviver se lembrar...

(do livro Alguns Versos, Talvez Poesias... - Devany A. Silva)