domingo, 28 de novembro de 2010

Músicas q comovem...



Dos Três Mal Amados


Composição: João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

20 de Novembro Dia Da Consciência Negra


                        AS TUAS DORES

                    ARMANDO GUEBUZA
                       

                   As tuas dores
                   mais as minhas dores
                   vão estrangular a opressão

                   Os teus olhos
                   mais os meus olhos
                   vão falando da revolta

                   A tua cicatriz
                   mais a minha cicatriz
                   vão lembrando o chicote

                   As minha mãos
                   mais as tuas mãos
                   vão pegando em armas

                   A minha força
                   mais a tua força
                   vão vencer o imperialismo

                   O meu sangue
                   mais o teu sangue
                   vão regar a Vitória.

Arnaldo Antunes, simplesmente perfeito!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010



                       SE ME PERGUNTARES
             ARMANDO GUEBUZA


Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrarte-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei somente isto
E depois
Mostrar-te-ei os corpos do meu Povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras,
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberá porque luto.